Como já era previsível, parte do meu tempo livre durante os fins-de-semana é dedicado a visitar museus. Felizmente ainda estou numa faixa etária que me permite entrar de forma gratuita na maioria, o que me facilitará também voltar àqueles dos quais gostar mais! Este texto já devia ter vindo para aqui antes, mas o tempo francês parece passar mais rápido que o português, xiça penico. Estas fotografias foram tiradas há dois fins-de-semana atrás.

O Musée de l’Orangerie fica numa ponta do Jardin des Tuileries e está dividido em apenas dois pisos. Um deles aloja a Colecção Walter-Guillaume, que está polvilhada por classicismo moderno e impressionismo. De forma muito geral, explico apenas que Paul Guillaume foi um intelectual e mecenas que apoiou vários pintores no início do século XX, entre os quais Picasso, Soutine (uma das surpresas no museu, pois não conhecia a sua obra e gostei bastante) e Marie Laurencin (uma das salas é dedicada apenas a esta senhora, é bonito!). Neste piso é ainda possível ver quadros de Modigliani (tão bom, senhores), Utrillo, Matisse, Cézanne e Renoir (dois pintores que estão em força no Musée d’Orsay), entre outros.

O piso térreo é ocupado “apenas” pelo famoso conjunto dos Nenúfares de Monet (Les Nymphéas), que consiste em 8 painéis divididos em número igual por duas salas e que acompanham a forma oval de cada uma delas. Monet ofereceu esta obra a França no final da II Guerra Mundial e escolheu especificamente este lugar para a alojar. Achei delicioso o facto de ele ter pensado na criação de um pequeno vestíbulo todo branco que antecede a entrada na primeira sala, com o objectivo de funcionar como um “espaço de descompressão”, antes de se mergulhar no cenário idílico nos seus Nenúfares. Não era permitido fotografar nestas salas, mas considero que para se perceber a grandiosidade desta obra é necessário estar efectivamente neste espaço, que outrora foi um verdadeiro laranjal. Se já era fascinada pela genialidade de Monet, esta mistura de pinturas elaboradas com absoluta mestria e o seu enquadramento arquitectonicamente perfeito deixou-me ainda mais impressionada. Foi realmente relaxante estar sentada naquelas salas e perder o olhar nas paisagens esbatidas e um pouco misteriosas.

Este é portanto outro dos museus que recomendo em Paris e ao qual certamente voltarei quando tiver oportunidade. Apesar de ter gostado mais do Musée d’Orsay, o Musée de l’Orangerie é mais pequeno e acolhedor, pelo que a visita se torna mais fácil e menos cansativa. Além disso, fica numa zona muito bonita! Tive a sorte de ter apanhado um dia de muito sol, pelo que de seguida pude passear feliz e contente pelas Tuileries, algo que teve um estranho sabor a Primavera.
