Entre Novembro e Dezembro quatro cidades portuguesas (Lisboa, Porto, Palmela e Coimbra) receberam a Mostra de Espanha. Pelo que vi no programa, o número de actividades foi superior no Porto e em Lisboa, tendo variado entre sessões de cinema, exposições, encontros e alguns espectáculos musicais.
No Porto, assisti a alguns filmes integrados no IV Ciclo de Cinema Espanhol, que foram projectados no auditório da Biblioteca Almeida Garrett (filmes de ficção) e no auditório da Fundação Serralves (documentários). O conceito fez-me lembrar um pouco a Festa do Cinema Francês, mas com filmes que, na minha opinião, têm “menos assunto” e em regime de gratuitidade. O filme de que mais gostei foi o Sólo quiero caminar, talvez por contrastar com os filmes anteriores que tinha visto, na medida em que tinha um enredo mais complexo e original, tendo sido um bom encerramento do ciclo.
Além disso, também fui a duas exposições. A primeira está ainda no Museu Nacional Soares dos Reis e tem como título “DOMUSae”, centrando-se na arquitectura de vários edifícios em diferentes cidades espanholas, como bibliotecas e museus (um exemplo: “um bloco” da exposição era dedicado a explicar o projecto do elevador exterior que foi adicionado à fachada do Museu Nacional Rainha Sofia, em Madrid). Gostei bastante e fiquei com ideia que os espanhóis têm muito cuidado com a arquitectura dos seus edíficios. Contudo, tenho de admitir que eu de arquitectura não percebo nada, pelo que a minha opinião neste caso não pode ser tido em conta em termos técnicos.
A outra exposição está no Centro Português de Fotografia (um dos meus sítios preferidos no Porto – devia dedicar-lhe um texto individual, tantas foram as vezes que já lá fui!). Na prática, estão três exposições patentes no contexto da Mostra de Espanha: “Os novos valores da fotografia espanhola” (sem dúvida a que menos gostei), “Fotografias que falam por si” (uma exposição dedicada ao fotógrafo espanhol Juantxu Rodriguez, que encontrou a morte demasiado cedo, algo que lhe tornou curta a carreira. Gostei muito das fotografias que ele captou em Espanha, mas aquelas que foram tiradas na América, principalmente nos EUA, são bastante fortes) e “Marín, fotografias 1908-1940” (também dedicada a um fotógrafo espanhol – Luis Ramón Marín, que foi responsável por armazenar em película inúmeros momentos marcantes da história de Espanha na primeira metade do século XX).
Nas últimas semanas visitei algumas exposições no Porto, mas não tenho tido muito tempo para as descrever aqui. Contudo, pela dimensão desta Mostra de Espanha, achei que valia a pena deixar no blogue uma referência. Para mim, que não sou especialmente apaixonada pela cultura espanhola (com excepção dos excelentes museus e igrejas, que venero e quase invejo não ter metade daquilo em Portugal!), foi uma óptima oportunidade para conhecer um pouco mais de um país tão próximo geograficamente.
Os Ciclos de Cinema organizados pela Invicta Filmes na Biblioteca Municipal Almeida Garrett (aquela com um edifício bonito, nos Jardins do Palácio de Cristal) já me tinham chamado a atenção no ano passado, contudo por esta altura já não tinha tempo para respirar com tanto trabalho da faculdade e acabei por só este ano poder frequentá-los (olá vida, foi bom ter-te de volta por algum tempo).
Desta listagem, o único ciclo que acompanhei a sério foi aquele que foi dedicado à Greta Garbo, tendo ficado absolutamente fascinada com o trabalho dela. No início de cada ciclo há uma pequena introdução feita pelo Lauro António (a fonte de inspiração da personagem Lauro Dérmio, do Herman: “let’s look at the traila“!) e logo aí fiquei com muita curiosidade perante esta actriz. Tinha muitas expectativas em relação ao filme Ana Karenina, por ter gostado bastante do livro, mas cerca de 90 minutos no cinema não foram suficientes para alcançar toda a complexidade do enredo que é possível sentir aquando da leitura do livro. Os meus preferidos foram o Mata Hari e o Rainha Cristina, nos quais achei o desempenho da actriz inspiradora do ciclo fortemente apaixonante.
Agradeço a estas sessões de cinema por me terem possibilitado contactar, de forma gratuita, com um tipo de cinema que dificilmente veria noutro local. Por este ano os ciclos de cinema já acabaram (para mim terminaram com o mítico King Kong, já no ciclo do Cinema Fantástico), mas devem regressar no próximo Verão. Para quem gosta de cinema fora de centros comerciais (e não só, evidentemente), esta actividade é uma boa oportunidade para ver ou rever óptimos filmes, criando uma “rotina cinematográfica” que sabe bem no final do dia e que não prejudica as nossas economias.
As edições anteriores da Festa do Cinema Francês no Porto calharam sempre em alturas demasiado ocupadas, mas finalmente este ano consegui ir (embora também não tenha calhado numa altura muito leve!). Adorei a experiência, tendo ficado com pena de não poder ter ido ver mais filmes. Fiquei com vontade de ver os filmes todos! Outro aspecto que acho muito positivo nesta iniciativa é a sua “digressão” por várias cidades do país, permitindo que um largo número de pessoas a possa aproveitar. É mais um evento pelo qual já espero ansiosamente pela próxima edição!