Há vários anos, sem qualquer exagero, que não ligava a televisão, mas ontem fiz questão de assistir ao debate entre os dois bastonários das Ordens que representam duas das principais classes de profissionais de saúde em Portugal.
Entre médicos a falar à boca cheia de coisas que claramente não sabem (ouvi-los falar de impurezas, excipientes e biodisponibilidade sem terem feito o trabalho de casa de irem ver o que realmente isso tudo significa, é triste) e a colocar em causa a credibilidade do INFARMED, um instituto de reconhecida qualidade a nível internacional, até ao bastonário da OM afirmar que não há lobbys no sector médico e que “testar medicamentos em humanos e em ratinhos é quase o mesmo, pois a genética é parecida”, deixa-me preocupada caso mais ninguém além dos farmacêuticos não perceba que há algo muito errado em tudo que os médicos tentaram transmitir ontem. E como não deitar as mãos à cabeça e fazer todas as piadas do mundo quando uma médica, após admitir com uma leveza incompreensível a irresponsabilidade de não saber nem querer saber usar o sistema de farmacovigilância, decide comparar um medicamento enquanto constituído por substância activa e excipientes a um belo bacalhau à brás?!
Os médicos que ontem estiveram presentes devem ter sido escolhidos a dedo, dadas as intervenções lamentáveis que fizeram. Hoje sinto-me orgulhosa pela forma como o bastonário da OF defendeu não só a classe farmacêutica mas, mais importante que isso, os interesses do doente. Porém, tenho vergonha de viver num país onde existem médicos que se recusam a confiar em medicamentos genéricos e que insistem em recomendar medicamentos que são mais pesados quer para o bolso de cada família, quer para os cofres do Estado. Mas que médicos são estes e que país é este?! Que vergonha.