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Categoria: love

26 de Maio de 2012

O meu dia de aniversário em Paris foi mais ou menos assim:

Bolo de aniversário surpresa à meia-noite; Musée de l’Orangerie e Jardin des Tuileries de manhã; concertos gratuitos do Festival Villette Sonique no Parc de la Villette, entre os quais um concerto do Ariel Pink, à tarde; festa de aniversário mais divertida de sempre à noite. Não podia ter pedido mais nadinha, c’était parfait. Foi lindo fazer anos em Paris ♥

petit retour

Cinco meses após ter chegado a Paris, voltei pela primeira vez a Portugal. Cinco meses sem o mar, sem sorrisos por todo o lado, sem a pronúncia do norte, sem a família, sem os amigos, sem o leite Nesquik, sem Viana, sem o Porto, sem a minha cama, sem a minha origem e sem tanta coisa mais foi muito tempo, foi demasiado tempo. Foi por isso inevitável os olhos encherem-se de lágrimas ao rever finalmente tudo aquilo que me é querido e que deixei para trás há cinco meses atrás. Não se deixem enganar pelos emigrantes fanfarrões que vos dizem que lá fora é que é, que lá fora é que tudo é bom. Sim, lá fora há muita coisa boa e neste momento é lá que me sinto bem, mas garanto-vos que não nada que se compare a este pequeno rectângulo de sol e gentes simpáticas a que chamamos Portugal.

À la semaine prochaine, Paris!

24, a 26 do 6 de 2012

Com 23 anos morei em Londres, no Porto e em Paris. Terminei o meu Erasmus, fiz o meu estágio numa farmácia, acabei o curso e tornei-me farmacêutica e também consegui o meu primeiro emprego. Visitei um número absurdamente bom de museus, feiras e exposições. Mudei de casa, de cidade, de país. Comecei a aprender Francês, perdi a vergonha de começar a escrever em Inglês e deixei de falar o tempo todo em Português. Vi Pulp, Blonde Redhead, Andrew Bird e, jesus, Belle&Sebastian. Conheci bandas, editoras e venues pequeninas que se tornaram grandes para mim. Fui pela oitava vez a Paredes de Coura e pela segunda vez ao Milhões de Festa. Troquei as calças pelos vestidos um verão inteiro e as sapatilhas pelos sapatos no inverno. Trouxe para casa o melhor computador do mundo, uma Canon AE-1 e muita roupa cor-de-rosa. Tirei muitas fotografias, escrevi muitos textos, fiz muitas listas e enviei muitos postais. Fiz amigos que sei que vão ficar ao meu redor para sempre, conheci pessoas que não pensei poderem existir na vida real e confirmei que consigo sozinha tomar conta de mim. Chorei com ansiedade e chorei a rir, muitas vezes. Cresci. Xiça penico, ainda tenho muito que andar nesta vida, mas este 23º ano de existência foi enorme. Feliz aniversário a mim!

des rêves

O dia 19 de Maio fica aqui registado como a primeira vez em que sonhei em francês.

(Il faut que je pratique beaucoup, mais je suis déjà très fière de moi.)

3 de Maio

Hoje, dia 3 de Maio de 2012, faz 4 meses desde que cheguei a Paris. 4 meses preenchidos por um amor que progressivamente vai crescendo mais e mais, por uma cidade que consegue impressionar-me sempre mais um pouco a cada dia que passa. Gosto tanto, mas tanto de morar aqui! Obrigada Paris, por me encheres tanto o coração.

Por outro lado, exactamente há um ano atrás, no dia 3 de Maio de 2011, foi o dia do meu cortejo de finalistas e nem consigo acreditar como tanta coisa mudou desde então. Bolas, muitas saudades da melhor semana de queima de sempre: uma serenata chuvosa, uma imposição de insígnias onde voei sobre as capas e bengalas, um cortejo no qual me diverti muito e um baile de finalistas que foi uma noite de príncipes e princesas com o meu vestido cor-de-rosa e os meus sapatinhos roxos (que amor!).

Esta última fotografia é da Magali. Beijinhos para ela e para os restantes amiguinhos portugueses que ainda visitam este blogue. Miss you all, miss you badly.

Write about love (#2)

É muito simples definir na minha cabeça com exactidão o que significa para mim “sair do meu espaço de conforto”. Basta pôr os pés fora do Porto, basta sair do lado dele. Bastam estas duas coisas em simultâneo e o coração cai ao chão. É lindo como preciso de pouco para me sentir feliz (embora este pouco seja muito, na verdade, quase tudo).

lição de Domingo

É muito difícil agradecer a quem fez tanto por nós de tal forma que por muito que pensemos seja impossível arranjar um conjunto de palavras capaz de expressar a nossa gratidão. E só quando a voz falhou e os olhos começaram a ficar estranhos é que consegui ter essa percepção. Ainda que de forma sempre incompleta, não quero deixar ninguém ir, em situação alguma, sem mostrar como me sinto grata. Talvez seja por isso que me perco sempre em agradecimentos… Mas por muito que às vezes sejam extensos, nunca, nunca são demais.

Write about love

Ter uma coisa boa para pensar ao adormecer e ao acordar faz com que todos os dias sejam melhores. Todos os dias.

E todas as semanas, todos os meses, todos os anos. Tudo fica mais fácil, mais confortável, mais feliz.

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