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Categoria: music

Great Lake Swimmers @ Petit Bain (26.04.2012)

“Good night, we are the Great Lake Swimmers… Or Les Nageurs du Grand Lac, here in Paris” – foi assim que esta banda canadiana se apresentou em Paris, na visita que fez no mês passado. A sala onde tocaram era comicamente concordante com o nome deles, pois além de ser um barco (mais um dos bares flutuantes em Bercy), tem também um nome que é alusivo a água: Petit Bain.

A primeira parte foi dupla. Para iniciar a noite de uma forma muito calma, o primeiro a entrar em palco foi o songwriter Barzin, acompanhado por uma amiguinha simpática (e portadora de um micro-vestido).

De seguida, os franceses I Come From Pop animaram um pouco mais a sala – estes três tipos, munidos de guitarras eléctricas e bateria, pareceram ser muito bons!

Finalmente, os Great Lake Swimmers subiram ao palco para um concerto muito simpático e próximo do público. Não tenho tempo para falar muito do concerto, mas além de algumas fotografias podem também ver aqui em baixo a setlist que eles tocaram nessa noite.

ARLT + Mariee Sioux @ Balades Sonores (22.04.2012)

Como se pode constatar pela relação entre a data dos eventos e a data em que escrevo sobre eles, cheguei àquele estranho momento em que se torna impossível falar sobre tudo o que gostaria de mostrar aqui. Contudo, apesar de ser obrigada a “ignorar” aluns eventos que mereciam que falasse um bocadinho sobre eles, há coisas que têm mesmo de ficar aqui registadas, como é o caso desta tarde.

Esta tarde foi das melhores coisinhas que tive aqui em Paris porque conseguiu juntar 3 aspectos perfeitos: os ARLT (melhor banda francesa que canta em francês e uma das minhas descobertas mais queridas nos últimos tempos), a Mariee Sioux com a sua banda (ela deve ser a cantora mais calma calminha que já vi) e a loja de discos Balades Sonores (um espaço que se tornou automaticamente num dos meus espaços preferidos em Paris e vá, no mundo inteiro). Desta vez gostei mais do concerto da Mariee Sioux, pois além de a banda dar uma melhor projecção às músicas, o espaço era muito melhor do que o anterior onde a tinha visto actuar. E quanto aos ARLT e ao Balades Sonores nem sei como vos expressar o meu amor ou como fico contente por partilhar a mesma cidade com eles. São tardes destas que me fazem ter a certeza que aquilo que mais quero neste momento é continuar a morar em Paris.

Disquaire Day @ Paris (21.04.2012)

O Record Store Day representa para mim um segundo Natal ou dia de aniversário, pois tal como acontece com essas duas datas é um dia que me leva a fazer contagem decrescente até à sua chegada e que me faz acordar totalmente eléctrica e pronta para sair de casa a correr para as lojas de discos!

Por um motivo que desconheço, na França eles traduzem apenas metade do original “Record Store Day”, o que resulta numa coisa estranha chamada “Disquaire Day” (a relação deste país com a língua inglesa não é fácil!). Mas o que importa é que este dia também existe por cá, tendo decorrido pequenos eventos em várias lojas de discos independentes espalhadas por Paris.

Como de manhã fui visitar uma exposição de fotografia no Hotel de Ville, restou-me a tarde para percorrer o percurso de lojas que tinha definido antes de sair de casa. Esse percurso foi constituido por quarto lojas: a boutique éphèmére da Rough Trade na loja agnès b. (jesus, tanto tempo que lá passei nessa semana!), a Ground Zero na Place Sainte Marthe em Belleville, a boutique Fargo na zona de Oberkampf e finalmente a loja Gals Rock em Montmartre.

Além da oportunidade de ver discos que foram especialmente lançados neste dia e de me abraçar um bocadinho às longas filas de CDs e vinis, também vi alguns concertos:

Don Niño @ Rough Trade chez agnès b.

Wild Horses @ Ground Zero

Saint Michel @ Ground Zero

Gretchen Phillips @ Gals Rock

Espero ansiosamente pelo Record Store Day/Disquaire Day do próximo ano!

Pré-Record Store Day

Sou uma grande fã do Record Store Day e se no ano passado tive a sorte de o passar em Londres (foi sem dúvida um dos melhores dias do meu período londrino!), este ano o cenário foi Paris. Paris tem-me surpreendido bastante neste sentido, pois tenho descoberto uma série de locais confortáveis, pequenas editoras muito dinâmicas, bons artistas e público simpático, o que em conjunto compõe uma cena musical (que chavão parvinho, mas resume o conceito que quero transmitir) bastante mais fofinha do que eu imaginei aqui por estes lados. Paris é tão mas tão mais que a Torre Eiffel e o Louvre (e ainda bem!).

Para fazer uma espécie de warm-up para o Record Store Day, houve uma série de concertos gratuitos durante a semana anterior, algo que me deixou muito contente e ocupada nesses dias. O espaço principal que acabou por ser quase a minha casa nessa semana foi a boutique éphèmére que a minha muito adorava Rough Trade, vinda da minha também muito amada cidade de Londres, montou numa loja de roupa chamada agnès b., como já aconteceu em diversas ocasiões em anos anteriores. Mas além deste espaço, outras lojas abriram a sua porta a diversos artistas, mas infelizmente ainda (ainda!) não domino a arte da multiplicação que me permitiria estar em vários sítios ao mesmo tempo.

Hoje só farei referência àquilo que vi entre segunda e sexta-feira, mas num próximo texto falarei um pouco do fim-de-semana do Record Store Day. Não tenho tempo para escrever sobre todas as bandas que vi, por isso vou apenas deixar uma fotografia de cada uma. Aquilo que aparece em bold corresponde às coisas que mais gostei de ver e ouvir (embora no geral tenha sido tudo muito lindo).

Laura Gibson @ Rough Trade chez agnès b. (16.04.2012)

Young Man @ Rough Trade chez agnès b. (17.04.2012)

Mariee Sioux @ Gibert Joseph (18.04.2012)

(O local não era o melhor para um concerto dela…)

Crocodiles @ Rough Trade chez agnès b. (19.04.2012)

Nicolas Ker @ Rough Trade chez agnès b. (19.04.2012)

Judah Warsky @ Rough Trade chez agnès b. (19.04.2012)

Sir Alice @ Rough Trade chez agnès b. (19.04.2012)

(alerta DEUSA)

Kill For Total Peace @ Rough Trade chez agnès b. (19.04.2012)

Gravenhurst @ Rough Trade chez agnès b. (20.04.2012)

Sea of Bees @ Rough Trade chez agnès b. (20.04.2012)

(Mil corações! Elas são muito lindas.)

Phoebe Killdeer and the Short Straws @ Café de la Danse (13.04.2012)

Estou a ficar muito atrasada com estas mini-revisões de concertos parisienses escritas em português (muito úteis, portanto)… Ainda tenho uma série de pequenos showcases para relatar, mas este texto é dedicado à Phoebe, à incansável e ultra-enérgica Phoebe Killdeer.

Só depois do concerto é que me apercebi que foi a quarta vez que vi a Phoebe ao vivo: a primeira vez foi com os Nouvelle Vague em 2008 no Teatro Sá da Bandeira e as duas vezes seguintes foram com o Paulo Furtado em função da participação dela no álbum Femina. Em Paris vi-a apresentar-se com a sua banda: Phoebe Killdeer and the Short Straws, no simpático (e até então ainda desconhecido para mim) Café de la Danse. Além da sua banda, nesta noite a Phoebe fez-se acompanhar por três convidados, relembrando-me como gosto deste tipo de concertos em que vê os amigos também.

O concerto contemplou o Innerquake, último álbum da banda, na sua íntegra. Além disso, temas do primeiro álbum – Weather’s Coming – também foram revisitados, tal como o Looking for a Man, interpretado em conjunto com a primeira convidada da noite: Melanie Pain, com um vestido azul muito fofinho e “a friend and partner in crime in Nouvelle Vague”, como a Phoebe a introduziu. Pouco depois entrou Craig Waker (ex-Archive), para ajudar no tema Twisted. Mas a minha convidada preferida chegou apenas no encore: a lindíssima Maria de Medeiros! É irónico que já tenha visto ao vivo a Phoebe e outras tantas senhoras estrangeiras que contribuíram para o Femina e apenas tenha conseguido ver em Paris “a nossa” Maria de Medeiros. Quando ela entrou em palco com um belíssimo vestido preto e uns sapatos também negros de salto alto para cantar a Up&Down alguém gritou em português “estás tão linda!” e naquele momento senti um bocadinho de Portugal em Paris.

A Phoebe voltou ainda para um segundo encore, no qual cantou uma música com auxílio de uma cábula, queixando-se que embora o público pedisse mais canções eles já tinham esgotado tudo o que podiam cantar – foi cómico!

Um concerto da Phoebe Killdeer, com a sua banda, os convidados, as suas caretas enquanto canta,  as canções mais calmas intercaladas com aquelas em que a cantora não fica no mesmo lugar durante mais do que um segundo, é como uma injecção de energia que ajuda a esquecer todo o cansaço acumulado após uma semana de trabalho, numa noite de chuva em Paris  numa sexta-feira 13.

No final ainda consegui conversar um pouco com a Phoebe e com a Mélanie, mas principalmente com a Maria de Medeiros. Bolas, tanto amor pela Maria! Ela é ainda mais bonita do que eu já imaginava e foi muito, muito simpática e querida. Foi mais uma noite em que voltei para casa com um enorme sorriso no rosto e a ideia “isto só é mesmo possível em Paris” na minha cabeça.

Shearwater @ La Maroquinerie (05.04.2012)

Primeira nota: isto não é uma review! Não tenho tempo para escrever um texto à altura daquilo que foi este concerto. Contudo, ele foi tão bonito e os Shearwater são tão grandes, que o mínimo que quero fazer é deixar aqui algumas fotografias que lhes tirei (foram as piores fotografias que tirei nos últimos tempos pois a Maroquinerie estava bastante escura nessa noite… Mas valeu a pena sacrificar as minhas fotografias sem interesse pela atmosfera única que se cria nesta sala parisiense). Além disso, desta vez deixo também um vídeo que alguém filmou numa das canções que mais gostei (por entre as muitas com as quais a voz do Jonathan Meiburg me conseguiu arrepiar e levar a minha mente numa viagem a um lugar distante mas bonito). “Eles mereciam ser enormes”, disse um amigo meu quando o nome dos Shearwater surgiu numa conversa – eu acho que eles enormes já são, falta apenas que muita mais gente se aperceba disso.

I’m From Barcelona @ Batofar (31.03.12)

Os meus muito, muito adorados I’m From Barcelona no fim-de-semana de final de Março/início de Abril deram dois concertos em Paris, tendo eu assistido ao primeiro. Quando percebi que a sala era flutuante ao verificar que o Batofar correspondia efectivamente a um barco e tendo em conta os vídeos que já tinha visto na internet dos concertos deles, confesso que temi um pouco pela vida de todos os presentes, mas acabou por correr tudo muito bem!

Embora imaginasse que fosse totalmente impossível alguém permanecer quietinho durante um concerto de I’m From Barcelona, não previa que logo a partir dos primeiros segundos eu própria fosse começar a dançar sem parar até ao final. É  incrível como a energia, alegria e boa disposição que a banda transmite são absolutamente contagiantes e como ao longo todo o concerto tudo no mundo parece bonito e simples (quase parece que é ali o local que eles descrevem como “somewhere it’s always spring”).

Felizmente eles escolheram uma setlist muito completa, com uma óbvia insistência no último álbum – Forever Today – mas também com várias passagens, algumas das quais praticamente obrigatórias, pelos dois álbuns anteriores. Após a introdução (um cântico entoando “Barcelona… Barcelona!”) toda a gente levantou o braço e gritou “We don’t want to get in line, we don’t want to get in line!”, o que me pareceu uma óptima forma de dar as boas vindas à grande família que tinha entrado em palco.

Todas as canções me pareceram bonitas, todas. Coloquei as mãos em forma de concha nas orelhas durante a Headphones (“They can take me anywhere I want, I put my headphones on, I put my headphones on…”), levei as mãos à cabeça na Overspleeping (Damn! Oversleeping again… Damn! I can’t believe I did it once again!”) e cantei como uma menina na This Boy (“there’s always gonna be this little girl inside of me…”). Por outro lado, acho que devo ter passado mais tempo no ar a saltar do que no chão durante a mítica “We’re From Barcelona” e ao longo da Treehouse (esta canção tem direito a uma coreografia muito fofa!). Foi também cómico ouvir a Jenny em Paris, podendo cantar no sítio certo a promessa de “we’re going up the Eiffel Tower you and me”.

Apesar de tudo isto ter sido muito, muito bom, os momentos de que mais gostei corresponderam às canções que representam para mim mais do que música, mas também uma espécie de lema para melhor enfrentar os meus dias. Na verdade, o que mais admiro nos I’m From Barcelona é a sua capacidade de transmitirem mensagens positivas por intermédio de músicas tão simples e bonitas. Por este motivo, a Come On, a The Painter e a fantástica Forever Today foram as minhas canções preferidas. Toda a gente devia ouvir estas canções todos os dias, pois estou certa que dessa forma é mais fácil ser feliz.

O momento bizarro do concerto passou-se sensivelmente a meio, quando eu, pouco mais de metro e meio de gente, pedi ao Emanuel que não se esquecesse de tocar a Oversleeping, uma vez que eu tinha a única setlist que existia no palco mesmo à minha frente e me apercebi que eles tinham passado essa canção à frente. Ele simpatizou comigo e fiquei muito contente por estar numa cidade onde ninguém me conhece quando ele me perguntou o nome (aparentemente há um jogador de futebol sueco com o nome que lhes lembrou o meu!) e me deu a setlist para as mãos, elegendo-me como souffleur para essa noite. Assim, a partir dessa altura disse-lhes as músicas do alinhamento, o que acabou por ser cómico. Quando o Emanuel me disse “you are hired!” senti que o meu velho sonho quase se realizava, pois na faculdade, nas alturas em que me sentia já muito farta de estudar, dizia frequentemente que ia desistir de tudo para me juntar aos I’m From Barcelona no autocarro deles! No final falei com alguns deles e foram todos muito, muito simpáticos, pelo que fiquei a adorar ainda mais (nem sei como é possível!) a banda.

We are your friends, you’ll never be alone again, so come on, so come on…” – foi assim que todo o público se despediu deles e foi com esse sentimento que saí do Batofar, tendo precisado da ajuda do vento frio que nessa noite trespassava o Sena durante o meu percurso de regresso, de forma a voltar à terra após uma noite passada num universo paralelo cheio de balões vermelhos e de um bando de suecos absolutamente adorável.

Dark Dark Dark @ Théâtre de la Cité Internationale (23.03.12)

Os Dark Dark Dark vieram a Paris com o pretexto de tomarem parte numa das sessões do Festival Les Femmes S’en Mêlent, que este ano assinalou a sua 15ª edição. Tal como o nome deixa perceber, este festival procura salientar o papel feminino no mundo da música, centrando-se em concreto na cena feminina independente.  O festival, que decorreu entre os dias 20 e 30 do mês passado, contou com nomes como My Brightest Diamond e Dum Dum Girls, entre muitos outros, e estendeu-se a diversas cidades, entre as quais Paris.

Na sua passagem por terras parisienses, os Dark Dark Dark vieram tocar bem perto da minha casa, no Théâtre de la Cité Internationale. Foi o primeiro concerto em Paris ao qual assisti sentada e embora isso seja algo que entre em colisão com a minha habitual postura de “não parar quieta” (Festival Para Gente Sentada, desculpa!), neste caso acho que fez todo o sentido.

A primeira parte foi uma surpresa para mim, uma vez que ficou a cargo de uma jovem cantora brasileira que se apresentou como Dom e que me fez ouvir pela primeira vez em Paris música cantada em língua portuguesa. A capacidade dela alternar não só em idiomas (cantou em português, francês e espanhol) mas também em instrumentos foi incrível. No final tive oportunidade de falar um pouco não só com ela mas também com um dos elementos que a acompanhava na guitarra e que por sua vez também tem um projecto paralelo muito interessante, chamado Thousand (clicar aqui para ouvir!).

Voltando a Dark Dark Dark… Apesar da banda contar com quatro meninos, a verdade é que o elemento central é a senhora Nona Marie Envie, que ao contrário das minhas expectativas se apresentou em palco sem os seus característicos óculos que fazem lembrar tempos nos quais nem ela era nascida (por momentos questionei-me se seria mesmo ela aquando da entrada no palco, mas uma vez começando a cantar não restaram quaisquer dúvidas!). A voz dela é muito particular e excepcional, pelo que foi um enorme prazer passar uma noite de sexta-feira a ouvi-la ao vivo. Para este festival, os Dark Dark Dark trouxeram um conjunto de canções novas que irão incluir no álbum que prometem lançar ainda este ano. Apesar de ter gostado das novidades, fiquei com pena de não ter ouvido mais coisas familiares. Contudo, eles pareceram muito contentes por estarem a apresentar canções novas (chegaram a dizer que uma vez ainda não tendo ainda um novo álbum, teriam de tocar canções antigas também – algo a que um elemento do público prontamente respondeu que isso não era problema, já que eram igualmente muito boas!). O início do concerto foi feito com a Wild Go, canção que emprestou também o nome ao último disco da banda. Já o Snow Magic, disco de estreia, foi muito pouco revisitado, tendo marcado uma breve presença com a Trouble No More. Na minha opinião, o momento mais bonito do concerto foi durante a Daydreaming, que acabou por me deixar na cabeça os seus uivos durante os dias que se seguiram (“Oh if you knew what it meant to me…”). Para o final ficou a Celebrate (“And tell me what you celebrate…”), uma forma alegre de os Dark Dark Dark nos mandarem a todos embora para casa… Contudo, a verdadeira despedida foi feita já fora da sala do concerto, onde a banda ainda esteve algum tempo a falar com todos aqueles que os quiseram procurar (curiosamente, uma das pessoas que também foi, imediatamente antes de mim, declarar o seu amor pela música dos Dark Dark Dark à Nona Marie foi a cantora e actriz SoKo!).

Este concerto teve o gosto especial de ser dos últimos que assinalei na minha agenda ainda em Portugal, antes de vir – é bom quando conseguimos fazer as coisas que tínhamos planeado alguns meses antes… E por falar em meses: hoje faz 3 meses desde que cheguei a Paris, hoje faz 3 meses desde que não vejo Portugal.

Damien Jurado @ La Maroquinerie (14.03.2012)

O gigante (em qualidade musical e em altura) Damien Jurado foi o motivo que me fez visitar pela primeira vez a famosa sala La Maroquinerie. Começando, como sempre que entro num lugar novo, por falar da sala, tenho de confessar que fiquei desiludida! Talvez o facto de já ter a La Cigale como comparação tenha contribuído para isso, mas a verdade é que a La Maroquinerie me pareceu bem mais pequena e despida do que imaginava. Ainda assim o som era óptimo, pelo que não me queixo.

Quanto ao Damien… Foi um pouco intimidante estar a escassos metros dele, uma vez que não havia o pit para fotógrafos e que escolhi um sítio mesmo em frente à cadeira onde ele se sentou. Durante todo o concerto ele foi pouco comunicativo, não sei se de forma natural, se devido à barreira linguística que o próprio invocou (“I am sorry, I would like to speak your language, but it would be totally useless in the US” – espero que isto tenha sido encarado com sentido de humor por toda a gente!). Penso que demorou demasiado até ceder e cumprimentar a plateia, apesar de insistentes vozes do público desde o início lhe lançarem diversos “hello” e “good night, Damien!”. Mas isto pouco interesse tem quando se traz no bolso não só uma data de canções antigas, como também um novo álbum tão simpático como é o Maraqopa. É impossível não suspirar quando alguém nos canta que “I could mess your life like a poem” (na verdade o Damien consegue provocar a little mess in the hearts quando canta de uma forma tão franca para nós…) – sim, é facto: sou sempre cheia de emoções quando ouço este tipo de sad ou deep songs, isso é mais que evidente em todos os meus textos. Do nosso álbum, a belíssima Museum of Flight foi a canção que mais me fez sorrir enquanto abanava a cabecinha de olhos fechados (“Don’t let go, I need you to hang around. I’m so broke...”). Obviamente que concerto foi bem mais complexo do que a minha breve descrição, mas ainda não arranjei coragem nem bons motivos (vulgo credenciais) para anotar em papel coisas que interessem no próprio dia e depois escrever críticas decentes…

A parte mais feia da noite foi o facto de ter achado o concerto pequenino (durou cerca de uma hora), algo expectável tendo em conta que o senhor Jurado veio a Paris para assegurar a primeira parte de um outro concerto. Mas, tal como muito se diz por aqui, ce n’est pas grave: é apenas mais um motivo para reforçar a minha vontade de o ver novamente assim que volte a ter oportunidade para tal. Até lá vou continuar a ir buscar as canções dele para ouvir a horas mais tardias da noite, tal como parece estranhamente natural na minha cabeça (e tal como está a acontecer neste preciso momento).

Andrew Bird @ La Cigale (06.03.2012)

A principal vantagem de escrever reviews apenas no meu blog pessoal e em português é poder, sempre que é caso para isso, falar de uma forma mais emotiva acerca dos concertos. No caso de Andrew Bird, posso afirmar, tendo a certeza que não caio em exageros, que a música dele para mim implica todo um sentimento de amor de carácter musical. Um amor já antigo e bastante forte, que me fez ficar com lágrimas nos olhos enquanto pensava “finalmente estou em frente a ele” quando o vi entrar no palco da La Cigale, no início deste primeiro mês de Primavera.

Antes de falar de música propriamente dita, tenho obrigatoriamente de fazer dois reparos. Em primeiro lugar, a sala – La Cigale – é tão, mas tão bonita! Penso que não podia ter tido mais sorte quanto ao local deste tão esperado encontro. Em segundo lugar, fiquei também encantada com a simpatia do Andrew Bird. A forma simples e clara como começou o concerto foi muito agradável e deixou logo antever como as duas horas seguintes seriam maravilhosas. Achei cómica a tentativa inicial de falar francês, com uns tímidos “Bonsoir… Ça va?”, retomando logo em seguida o inglês.

Tal como havia sido prometido logo no início, o novíssimo Break it Yourself, lançado oficialmente no dia anterior a este concerto, foi tocado na íntegra (uma situação que foi descrita como pouco frequente, mas apropriada ao momento). Embora pelo meio deste álbum o Andrew nos cante convictamente “Made yourself invulnerable, no one can break your heart, so you break it yourself”, a verdade é que ele consegue, sem grandes delongas, quebrar corações.  Aliás, o novo álbum consegue causar-me em cada audição uma estranha sensação de desconstrução, num sentido de simplificação à medida que as canções vão fluindo. Durante o próprio concerto essa sensação de completo “desarmamento” foi constante, pois a música dele é tão bonita e tão transparente que ao ouvi-la apenas consigo pensar nisso mesmo.

Não consigo decidir se gostei mais de ouvir as coisas novas ou as antigas… Por um lado, gostei muito de ouvir temas que se destacaram nas primeiras audições do Break it Yourself, como a Desperation Breeds e a Danse Caribe, pois achei que conseguem funcionar ainda melhor ao vivo. Contudo, também senti o entusiasmo geral nos primeiros acordes da Plasticies e da Fake Palindroms (a forma como ele rasgou o início da Fake Palindroms com o arco do violino foi literalmente de cortar a respiração). Apesar de tudo o resto ter sido lindo, para mim os dois momentos altos da noite foram aqueles reservados à Near Love Experience Experience e à Effigy, nos quais me senti perto, muito perto, de chorar como uma menina pequena. A Near Love Experience Experience é, tal como li algures por este mundo da internet, “uma canção maior do que a vida” – desde os assobios iniciais até ele nos cantar em falsete que “No, there’s nothing wrong, there’s nothing wrong when it starts to down”, toda a canção é perfeita. Quanto à Effigy, nem sei bem como descrever a sensação de finalmente ter o Andrew Bird fora do meu mp3 a cantar à minha frente e a apontar ora para si, ora para o infinito enquanto especulava “it could be you…. it could be me” (“Fake conversations on a nonexistent telephone…”). Tão, tão perfeito.

É incrível como perante um concerto em relação ao qual tinha expectativas já bastante elevadas, consegui ser surpreendida e completamente conquistada.  Não só a música: os assobios incessantes, as expressões deliciosas enquanto cantava, a interacção fantástica com o público, o violino irrequieto, o xilofone… Com tudo isto o Andrew Bird conseguiu aumentar mais ainda o meu já enorme amor por ele. Após tantas e tantas horas, durante tantos anos, a ouvi-lo em registos digitais, foi imensamente bom tê-lo à minha frente, ali a poucos metros de distância, a cantar todos aqueles temas que já tanto haviam passeado na minha cabeça. Perto do final da noite, em resposta a mais uma explosão do público, ele deixou escapar timidamente um agradecimento, afirmando que poucos concertos eram como aquele. Perdi a vergonha e levantei a voz para lhe responder “Yeah Andrew, we know!” – efectivamente não há muitos concertos como este, nem tão pouco nenhum artista como o Andrew Bird.

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