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Categoria: places

petit retour

Cinco meses após ter chegado a Paris, voltei pela primeira vez a Portugal. Cinco meses sem o mar, sem sorrisos por todo o lado, sem a pronúncia do norte, sem a família, sem os amigos, sem o leite Nesquik, sem Viana, sem o Porto, sem a minha cama, sem a minha origem e sem tanta coisa mais foi muito tempo, foi demasiado tempo. Foi por isso inevitável os olhos encherem-se de lágrimas ao rever finalmente tudo aquilo que me é querido e que deixei para trás há cinco meses atrás. Não se deixem enganar pelos emigrantes fanfarrões que vos dizem que lá fora é que é, que lá fora é que tudo é bom. Sim, lá fora há muita coisa boa e neste momento é lá que me sinto bem, mas garanto-vos que não nada que se compare a este pequeno rectângulo de sol e gentes simpáticas a que chamamos Portugal.

À la semaine prochaine, Paris!

Mémorial de la Shoah

Uma das coisas que me faz ainda não ter visitado o Musée du Louvre (o maior hype parisiense a nível de museus lol*) desde que cheguei a Paris é  facto de estar sempre a descobrir espaços cuja existência ignorava e que se revelam muito interessantes, acabando por ganhar a minha atenção e, consequentemente, o meu tempo escasso.

Um destes casos é o Mémorial de la Shoah, que se trata de um espaço bastante grande, localizado numa zona central de Paris (muito perto da Rue Rivoli e do Hôtel de Ville) e que é dedicado ao Holocausto. Já vi muitas exposições sobre o Holocausto, mas parece que nunca me canso e, acima de tudo, nunca deixo de ficar arrepiada ao ler as histórias, ao ver os números e ao relembrar que tudo isto aconteceu há relativamente pouco tempo. Não consigo não ficar triste nem tão pouco abafar a questão “Como é que deixaram que tudo isto fosse possível?” quando volto a mergulhar neste momento lastimável da história mundial.

Infelizmente não eram permitidas fotografias no interior, mas em contrapartida a entrada é gratuita para toda a gente. A visita tomou-me bastante tempo pois o espaço é muito completo e durante uma semana não consegui tirar algumas imagens e pensamentos da cabeça. No final da exposição um casal comentava entre si enquanto via os números das pessoas que foram mortas em cada país “Eles quase conseguiram acabar com tudo!”. Não percebo como é que homens fizeram isto a outros homens, nem percebo como é que tudo isto aconteceu aqui na evoluída Europa, no século XX…

Outro aspecto que gosto sempre de notar é a visão destes acontecimentos globais num determinado país. No ano passado pude explorar as duas guerras mundiais e outros momentos históricos sob o ponto de vista do Reino Unido e este ano estou a gostar bastante de ver também o lado francês. E, como é natural, cada vez é maior a vontade de viajar um pouco mais para leste e conhecer presencialmente alguns dos locais dos quais tantas imagens já vi…

(*usar lol no blogue, shame on me!)

Musée de la Musique

Desde que cheguei tenho visitado no mínimo um museu ou galeria em cada fim-de-semana, mas não tenho falado de tudo por estes lados – não porque o que tenho visto não o justifique (porque justifica e bem!), mas porque simplesmente não tenho tempo disponível para o fazer! Contudo, vou tentar continuar a falar pelo menos de parte do que tenho conseguido ver neste cidade que é provavelmente um dos lugares da Europa com maior oferta cultural.

O Musée de la Musique está enquadrado num espaço fantástico chamado Cité de la Musique, que ocupa uma ponta do Parc de la Villette. Não sei como demorei tanto tempo para o visitar desde que cheguei, pois para quem gosta de música é um espaço absolutamente encantador para passar várias horas muito felizes sem qualquer pontinha de aborrecimento.

A colecção permanente do museu está dividida em cinco pisos, cada um deles representando diferentes capítulos da história da música. Nos quatro primeiros pisos a divisão é feita tendo em conta os quatro últimos séculos (desde século XVII até século XX), enquanto que o último piso é dedicado às músicas do mundo. A vastíssima colecção de instrumentos musicais é impressionante, não só em termos de número como também de beleza e, em certos casos, devido ao exotismo de algumas peças. Além da exposição “visual” dos instrumentos, é fornecido gratuitamente um guia-audio com o qual é possível acompanhar não só diversos filmes que estão disponíveis ao longo de todo o museu (ao todo são cerca de 40), como também em vários casos o visitante pode ouvir trechos da música reproduzida por alguns dos instrumentos, algo que para mim correspondeu a uma das coisas mais interessantes do museu (é impossível para mim olhar para um instrumento sem tentar simultaneamente imaginar o som que ele fará!). O piso acerca das músicas do mundo tem vários instrumentos dos vários continentes excepto da Europa, mas achei-o pouco explorado! Por outro lado, uma pequena zona do quarto piso dedicada a estilos músicas (jazz, rock e chanson) será aumentada no próximo ano, o que me agradou bastante pois foi das partes do museu de que mais gostei. Uma outra particularidade a salientar é o facto de que num dos pisos estar sempre presente um músico que além de tocar um dado instrumento (quando eu passei era a vez de um violinista), fala com os visitantes acerca do instrumento em si, das canções que toca e de tudo mais que os ouvintes queiram saber – pareceu-me um autêntico privilégio ter sempre lá alguém para este efeito!

Além de tudo mais, como seria de esperar, a loja do museu é também um espaço de tentação, vendendo imensos discos e algum merchandising bastante interessantes. Quando eu acabei de ver o museu estavam a passar Fleet Foxes na loja, o que me parecu muito bem!

Apesar de não ser dos museus mais conhecidos e publicitados em Paris, o Musée de la Musique é um espaço no qual qualquer apaixonado por música entrará e terá dificuldade em ir embora! Ficou ainda a faltar uma visita à colecção temporária, mas noutro domingo de sol irei dedicar novamente a manhã à Cité de la Musique e a tarde ao enorme e amplo Parc de la Villette – o que é, a propósito, mais uma sugestão de passeio em Paris fugindo à Torre Eiffel e às restantes capas de guias turísticos!

Centre Pompidou

A colecção permanente do Centre Pompidou reúne um número considerável de obras de arte moderna e arte contemporânea, sendo um ponto de passagem obrigatória mesmo para quem visite a cidade dispondo de pouco tempo. Além das obras, o edifício é bastante original e engraçado, pelo é impossível passar na zona sem que este nos chame a atenção e peça descaradamente para o fotografarmos.

Em relação às obras expostas, estas foram algumas das quais mais gostei:

O Centre Pompidou saltou também para o meu top de museus preferidos em Paris, sendo certamente um local ao qual irei voltar várias vezes no futuro (pelo menos enquanto ainda estiver nesta idade mágica que me dá isenção de pagamento na entrada de muitos museus por estas terras francesas!).

aviso à navegação

Faltam exactamente dois meses para avançar mais um ano na minha idade. E desta vez será em Paris, esta cidade que tão, mas tão bonita fica vestida de Primavera. Ai.

Marché aux Puces

É facto: em qualquer lugar, em qualquer momento, sou feliz no meio de coisas velhas velhinhas vindas de tempos passados! Por esse motivo, tinha bastante curiosidade em visitar o Marché aux Puces em Paris, que basicamente consiste em vários mercados agrupados e que reúnem entre si um conjunto enorme de objectos antigos e usados, desde roupa, a livros, mobília, etc (neste etc podem incluir uma infinidade de objectos a que eu genericamente chamo “tralha”). A zona não é muito agradável – fica no norte de Paris, onde o ar que se respira já pesa mais um bocado e por esse motivo o uso da máquina fotográfica foi feito um pouco a medo. Não achei o mercado especialmente tentador em termos de roupa (ao contrário de algumas lojas de rua que com enorme alegria já consegui encontrar – jesus, mil corações esvoaçantes para elas!), mas gostei bastante de passear lá pelo meio e de ver uma série de coisas mais exóticas. Esta visita já aconteceu há mais de um mês e pensando nela agora posso afirmar que o que mais me marcou foi a parte de mobília onde são recriadas salas antigas por completo, uns fatos Pierre Cardin que apesar de muito clássicos (e caros!!) me pareceram estupidamente bonitos e uma loja com muitas máquinas fotográficas antigas. É um bom sítio para se passear em Paris num Domingo de manhã – fica a sugestão!

deux mois à Paris

Paris é provavelmente a cidade dos clichés. A Torre Eiffel, o Sena, os cafés com toldos confortáveis, o Arco do Triunfo, as boinas, os vinhos e os queijos, Notre Dame, os artistas, o Sacré Coeur e outras tantas coisas mais que saltam para a cabeça quando se pensa em Paris. Contudo, à medida que estes clichés vão deixando de ser cenários turísticos para se assumirem como momentos normais do meu quotidiano, à medida em que vou tomando tudo isto como meu e não apenas como algo temporário numa cidade de sonho como é Paris, a vontade de ir embora vai ficando cada vez mais pequena. Paris não é uma cidade perfeita nem sequer me imagino a morar aqui para sempre, mas por enquanto não quero nem um pouco ir embora. É fofinho viver aqui, quero muito ter Paris durante mais uns tempos.

Cheguei há exactamente dois meses e sinto-me cada vez melhor por aqui. Obrigada, Paris ♥

trois semaines

Passaram exactamente três meses desde que acabei o curso e três semanas desde que cheguei a Paris. Para quem nunca sonhou ou sequer pensou em morar em Paris, é bonito trabalhar num sítio onde se vê isto da janela:

Ainda não consigo deixar de me sentir estupidamente surpreendida com as voltas inesperadas que a vida dá.

Musée de L’Orangerie

Como já era previsível, parte do meu tempo livre durante os fins-de-semana é dedicado a visitar museus. Felizmente ainda estou numa faixa etária que me permite entrar de forma gratuita na maioria, o que me facilitará também voltar àqueles dos quais gostar mais! Este texto já devia ter vindo para aqui antes, mas o tempo francês parece passar mais rápido que o português, xiça penico. Estas fotografias foram tiradas há dois fins-de-semana atrás.

O Musée de l’Orangerie fica numa ponta do Jardin des Tuileries e está dividido em apenas dois pisos. Um deles aloja a Colecção Walter-Guillaume, que está polvilhada por classicismo moderno e impressionismo. De forma muito geral, explico apenas que Paul Guillaume foi um intelectual e mecenas que apoiou vários pintores no início do século XX, entre os quais Picasso, Soutine (uma das surpresas no museu, pois não conhecia a sua obra e gostei bastante) e Marie Laurencin (uma das salas é dedicada apenas a esta senhora, é bonito!). Neste piso é ainda possível ver quadros de Modigliani (tão bom, senhores), Utrillo, Matisse, Cézanne e Renoir (dois pintores que estão em força no Musée d’Orsay), entre outros.

O piso térreo é ocupado “apenas” pelo famoso conjunto dos Nenúfares de Monet (Les Nymphéas), que consiste em 8 painéis divididos em número igual por duas salas e que acompanham a forma oval de cada uma delas. Monet ofereceu esta obra a França no final da II Guerra Mundial e escolheu especificamente este lugar para a alojar. Achei delicioso o facto de ele ter pensado na criação de um pequeno vestíbulo todo branco que antecede a entrada na primeira sala, com o objectivo de funcionar como um “espaço de descompressão”, antes de se mergulhar no cenário idílico nos seus Nenúfares. Não era permitido fotografar nestas salas, mas considero que para se perceber a grandiosidade desta obra é necessário estar efectivamente neste espaço, que outrora foi um verdadeiro laranjal. Se já era fascinada pela genialidade de Monet, esta mistura de pinturas elaboradas com absoluta mestria e o seu enquadramento arquitectonicamente perfeito deixou-me ainda mais impressionada. Foi realmente relaxante estar sentada naquelas salas e perder o olhar nas paisagens esbatidas e um pouco misteriosas.

Este é portanto outro dos museus que recomendo em Paris e ao qual certamente voltarei quando tiver oportunidade. Apesar de ter gostado mais do Musée d’Orsay, o Musée de l’Orangerie é mais pequeno e acolhedor, pelo que a visita se torna mais fácil e menos cansativa. Além disso, fica numa zona muito bonita! Tive a sorte de ter apanhado um dia de muito sol, pelo que de seguida pude passear feliz e contente pelas Tuileries, algo que teve um estranho sabor a Primavera.

Café des 2 Moulins

Segundo momento Le fabuleux destin d’Amélie Poulain: rumar a Montmartre propositadamente para ver o café da Amélie.

Tenho de voltar lá com menos vergonha e fotografar por dentro, mas só o facto de lá ter entrado já me encheu o coração. Fico ansiosa por poder explorar tudo, porque o interior tem várias alusões àquela que é, muito provavelmente, a minha personagem de ficção preferida de todos os tempos.

(Começo a sentir saudades de escrever sobre o Porto, mas por enquanto o que tenho para vos dizer é sobre Paris, por isso tenham lá paciência… São relatos menos úteis, mas talvez um dia sirvam a alguém que venha cá ter em busca de ideias para planear uma viagem a Paris).

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