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Pré-Record Store Day

Sou uma grande fã do Record Store Day e se no ano passado tive a sorte de o passar em Londres (foi sem dúvida um dos melhores dias do meu período londrino!), este ano o cenário foi Paris. Paris tem-me surpreendido bastante neste sentido, pois tenho descoberto uma série de locais confortáveis, pequenas editoras muito dinâmicas, bons artistas e público simpático, o que em conjunto compõe uma cena musical (que chavão parvinho, mas resume o conceito que quero transmitir) bastante mais fofinha do que eu imaginei aqui por estes lados. Paris é tão mas tão mais que a Torre Eiffel e o Louvre (e ainda bem!).

Para fazer uma espécie de warm-up para o Record Store Day, houve uma série de concertos gratuitos durante a semana anterior, algo que me deixou muito contente e ocupada nesses dias. O espaço principal que acabou por ser quase a minha casa nessa semana foi a boutique éphèmére que a minha muito adorava Rough Trade, vinda da minha também muito amada cidade de Londres, montou numa loja de roupa chamada agnès b., como já aconteceu em diversas ocasiões em anos anteriores. Mas além deste espaço, outras lojas abriram a sua porta a diversos artistas, mas infelizmente ainda (ainda!) não domino a arte da multiplicação que me permitiria estar em vários sítios ao mesmo tempo.

Hoje só farei referência àquilo que vi entre segunda e sexta-feira, mas num próximo texto falarei um pouco do fim-de-semana do Record Store Day. Não tenho tempo para escrever sobre todas as bandas que vi, por isso vou apenas deixar uma fotografia de cada uma. Aquilo que aparece em bold corresponde às coisas que mais gostei de ver e ouvir (embora no geral tenha sido tudo muito lindo).

Laura Gibson @ Rough Trade chez agnès b. (16.04.2012)

Young Man @ Rough Trade chez agnès b. (17.04.2012)

Mariee Sioux @ Gibert Joseph (18.04.2012)

(O local não era o melhor para um concerto dela…)

Crocodiles @ Rough Trade chez agnès b. (19.04.2012)

Nicolas Ker @ Rough Trade chez agnès b. (19.04.2012)

Judah Warsky @ Rough Trade chez agnès b. (19.04.2012)

Sir Alice @ Rough Trade chez agnès b. (19.04.2012)

(alerta DEUSA)

Kill For Total Peace @ Rough Trade chez agnès b. (19.04.2012)

Gravenhurst @ Rough Trade chez agnès b. (20.04.2012)

Sea of Bees @ Rough Trade chez agnès b. (20.04.2012)

(Mil corações! Elas são muito lindas.)

Mémorial de la Shoah

Uma das coisas que me faz ainda não ter visitado o Musée du Louvre (o maior hype parisiense a nível de museus lol*) desde que cheguei a Paris é  facto de estar sempre a descobrir espaços cuja existência ignorava e que se revelam muito interessantes, acabando por ganhar a minha atenção e, consequentemente, o meu tempo escasso.

Um destes casos é o Mémorial de la Shoah, que se trata de um espaço bastante grande, localizado numa zona central de Paris (muito perto da Rue Rivoli e do Hôtel de Ville) e que é dedicado ao Holocausto. Já vi muitas exposições sobre o Holocausto, mas parece que nunca me canso e, acima de tudo, nunca deixo de ficar arrepiada ao ler as histórias, ao ver os números e ao relembrar que tudo isto aconteceu há relativamente pouco tempo. Não consigo não ficar triste nem tão pouco abafar a questão “Como é que deixaram que tudo isto fosse possível?” quando volto a mergulhar neste momento lastimável da história mundial.

Infelizmente não eram permitidas fotografias no interior, mas em contrapartida a entrada é gratuita para toda a gente. A visita tomou-me bastante tempo pois o espaço é muito completo e durante uma semana não consegui tirar algumas imagens e pensamentos da cabeça. No final da exposição um casal comentava entre si enquanto via os números das pessoas que foram mortas em cada país “Eles quase conseguiram acabar com tudo!”. Não percebo como é que homens fizeram isto a outros homens, nem percebo como é que tudo isto aconteceu aqui na evoluída Europa, no século XX…

Outro aspecto que gosto sempre de notar é a visão destes acontecimentos globais num determinado país. No ano passado pude explorar as duas guerras mundiais e outros momentos históricos sob o ponto de vista do Reino Unido e este ano estou a gostar bastante de ver também o lado francês. E, como é natural, cada vez é maior a vontade de viajar um pouco mais para leste e conhecer presencialmente alguns dos locais dos quais tantas imagens já vi…

(*usar lol no blogue, shame on me!)

3 de Maio

Hoje, dia 3 de Maio de 2012, faz 4 meses desde que cheguei a Paris. 4 meses preenchidos por um amor que progressivamente vai crescendo mais e mais, por uma cidade que consegue impressionar-me sempre mais um pouco a cada dia que passa. Gosto tanto, mas tanto de morar aqui! Obrigada Paris, por me encheres tanto o coração.

Por outro lado, exactamente há um ano atrás, no dia 3 de Maio de 2011, foi o dia do meu cortejo de finalistas e nem consigo acreditar como tanta coisa mudou desde então. Bolas, muitas saudades da melhor semana de queima de sempre: uma serenata chuvosa, uma imposição de insígnias onde voei sobre as capas e bengalas, um cortejo no qual me diverti muito e um baile de finalistas que foi uma noite de príncipes e princesas com o meu vestido cor-de-rosa e os meus sapatinhos roxos (que amor!).

Esta última fotografia é da Magali. Beijinhos para ela e para os restantes amiguinhos portugueses que ainda visitam este blogue. Miss you all, miss you badly.

Phoebe Killdeer and the Short Straws @ Café de la Danse (13.04.2012)

Estou a ficar muito atrasada com estas mini-revisões de concertos parisienses escritas em português (muito úteis, portanto)… Ainda tenho uma série de pequenos showcases para relatar, mas este texto é dedicado à Phoebe, à incansável e ultra-enérgica Phoebe Killdeer.

Só depois do concerto é que me apercebi que foi a quarta vez que vi a Phoebe ao vivo: a primeira vez foi com os Nouvelle Vague em 2008 no Teatro Sá da Bandeira e as duas vezes seguintes foram com o Paulo Furtado em função da participação dela no álbum Femina. Em Paris vi-a apresentar-se com a sua banda: Phoebe Killdeer and the Short Straws, no simpático (e até então ainda desconhecido para mim) Café de la Danse. Além da sua banda, nesta noite a Phoebe fez-se acompanhar por três convidados, relembrando-me como gosto deste tipo de concertos em que vê os amigos também.

O concerto contemplou o Innerquake, último álbum da banda, na sua íntegra. Além disso, temas do primeiro álbum – Weather’s Coming – também foram revisitados, tal como o Looking for a Man, interpretado em conjunto com a primeira convidada da noite: Melanie Pain, com um vestido azul muito fofinho e “a friend and partner in crime in Nouvelle Vague”, como a Phoebe a introduziu. Pouco depois entrou Craig Waker (ex-Archive), para ajudar no tema Twisted. Mas a minha convidada preferida chegou apenas no encore: a lindíssima Maria de Medeiros! É irónico que já tenha visto ao vivo a Phoebe e outras tantas senhoras estrangeiras que contribuíram para o Femina e apenas tenha conseguido ver em Paris “a nossa” Maria de Medeiros. Quando ela entrou em palco com um belíssimo vestido preto e uns sapatos também negros de salto alto para cantar a Up&Down alguém gritou em português “estás tão linda!” e naquele momento senti um bocadinho de Portugal em Paris.

A Phoebe voltou ainda para um segundo encore, no qual cantou uma música com auxílio de uma cábula, queixando-se que embora o público pedisse mais canções eles já tinham esgotado tudo o que podiam cantar – foi cómico!

Um concerto da Phoebe Killdeer, com a sua banda, os convidados, as suas caretas enquanto canta,  as canções mais calmas intercaladas com aquelas em que a cantora não fica no mesmo lugar durante mais do que um segundo, é como uma injecção de energia que ajuda a esquecer todo o cansaço acumulado após uma semana de trabalho, numa noite de chuva em Paris  numa sexta-feira 13.

No final ainda consegui conversar um pouco com a Phoebe e com a Mélanie, mas principalmente com a Maria de Medeiros. Bolas, tanto amor pela Maria! Ela é ainda mais bonita do que eu já imaginava e foi muito, muito simpática e querida. Foi mais uma noite em que voltei para casa com um enorme sorriso no rosto e a ideia “isto só é mesmo possível em Paris” na minha cabeça.

Shearwater @ La Maroquinerie (05.04.2012)

Primeira nota: isto não é uma review! Não tenho tempo para escrever um texto à altura daquilo que foi este concerto. Contudo, ele foi tão bonito e os Shearwater são tão grandes, que o mínimo que quero fazer é deixar aqui algumas fotografias que lhes tirei (foram as piores fotografias que tirei nos últimos tempos pois a Maroquinerie estava bastante escura nessa noite… Mas valeu a pena sacrificar as minhas fotografias sem interesse pela atmosfera única que se cria nesta sala parisiense). Além disso, desta vez deixo também um vídeo que alguém filmou numa das canções que mais gostei (por entre as muitas com as quais a voz do Jonathan Meiburg me conseguiu arrepiar e levar a minha mente numa viagem a um lugar distante mas bonito). “Eles mereciam ser enormes”, disse um amigo meu quando o nome dos Shearwater surgiu numa conversa – eu acho que eles enormes já são, falta apenas que muita mais gente se aperceba disso.

I’m From Barcelona @ Batofar (31.03.12)

Os meus muito, muito adorados I’m From Barcelona no fim-de-semana de final de Março/início de Abril deram dois concertos em Paris, tendo eu assistido ao primeiro. Quando percebi que a sala era flutuante ao verificar que o Batofar correspondia efectivamente a um barco e tendo em conta os vídeos que já tinha visto na internet dos concertos deles, confesso que temi um pouco pela vida de todos os presentes, mas acabou por correr tudo muito bem!

Embora imaginasse que fosse totalmente impossível alguém permanecer quietinho durante um concerto de I’m From Barcelona, não previa que logo a partir dos primeiros segundos eu própria fosse começar a dançar sem parar até ao final. É  incrível como a energia, alegria e boa disposição que a banda transmite são absolutamente contagiantes e como ao longo todo o concerto tudo no mundo parece bonito e simples (quase parece que é ali o local que eles descrevem como “somewhere it’s always spring”).

Felizmente eles escolheram uma setlist muito completa, com uma óbvia insistência no último álbum – Forever Today – mas também com várias passagens, algumas das quais praticamente obrigatórias, pelos dois álbuns anteriores. Após a introdução (um cântico entoando “Barcelona… Barcelona!”) toda a gente levantou o braço e gritou “We don’t want to get in line, we don’t want to get in line!”, o que me pareceu uma óptima forma de dar as boas vindas à grande família que tinha entrado em palco.

Todas as canções me pareceram bonitas, todas. Coloquei as mãos em forma de concha nas orelhas durante a Headphones (“They can take me anywhere I want, I put my headphones on, I put my headphones on…”), levei as mãos à cabeça na Overspleeping (Damn! Oversleeping again… Damn! I can’t believe I did it once again!”) e cantei como uma menina na This Boy (“there’s always gonna be this little girl inside of me…”). Por outro lado, acho que devo ter passado mais tempo no ar a saltar do que no chão durante a mítica “We’re From Barcelona” e ao longo da Treehouse (esta canção tem direito a uma coreografia muito fofa!). Foi também cómico ouvir a Jenny em Paris, podendo cantar no sítio certo a promessa de “we’re going up the Eiffel Tower you and me”.

Apesar de tudo isto ter sido muito, muito bom, os momentos de que mais gostei corresponderam às canções que representam para mim mais do que música, mas também uma espécie de lema para melhor enfrentar os meus dias. Na verdade, o que mais admiro nos I’m From Barcelona é a sua capacidade de transmitirem mensagens positivas por intermédio de músicas tão simples e bonitas. Por este motivo, a Come On, a The Painter e a fantástica Forever Today foram as minhas canções preferidas. Toda a gente devia ouvir estas canções todos os dias, pois estou certa que dessa forma é mais fácil ser feliz.

O momento bizarro do concerto passou-se sensivelmente a meio, quando eu, pouco mais de metro e meio de gente, pedi ao Emanuel que não se esquecesse de tocar a Oversleeping, uma vez que eu tinha a única setlist que existia no palco mesmo à minha frente e me apercebi que eles tinham passado essa canção à frente. Ele simpatizou comigo e fiquei muito contente por estar numa cidade onde ninguém me conhece quando ele me perguntou o nome (aparentemente há um jogador de futebol sueco com o nome que lhes lembrou o meu!) e me deu a setlist para as mãos, elegendo-me como souffleur para essa noite. Assim, a partir dessa altura disse-lhes as músicas do alinhamento, o que acabou por ser cómico. Quando o Emanuel me disse “you are hired!” senti que o meu velho sonho quase se realizava, pois na faculdade, nas alturas em que me sentia já muito farta de estudar, dizia frequentemente que ia desistir de tudo para me juntar aos I’m From Barcelona no autocarro deles! No final falei com alguns deles e foram todos muito, muito simpáticos, pelo que fiquei a adorar ainda mais (nem sei como é possível!) a banda.

We are your friends, you’ll never be alone again, so come on, so come on…” – foi assim que todo o público se despediu deles e foi com esse sentimento que saí do Batofar, tendo precisado da ajuda do vento frio que nessa noite trespassava o Sena durante o meu percurso de regresso, de forma a voltar à terra após uma noite passada num universo paralelo cheio de balões vermelhos e de um bando de suecos absolutamente adorável.

Common people #4

Dois guilty pleasures: a camisola com mais cores do que o arco-íris (ignorando o leopardo, obviamente) e os creepers bicolores (sim, admito: gosto tanto!).

Mas agora a sério: esta menina aqui em baixo é linda.

Musée de la Musique

Desde que cheguei tenho visitado no mínimo um museu ou galeria em cada fim-de-semana, mas não tenho falado de tudo por estes lados – não porque o que tenho visto não o justifique (porque justifica e bem!), mas porque simplesmente não tenho tempo disponível para o fazer! Contudo, vou tentar continuar a falar pelo menos de parte do que tenho conseguido ver neste cidade que é provavelmente um dos lugares da Europa com maior oferta cultural.

O Musée de la Musique está enquadrado num espaço fantástico chamado Cité de la Musique, que ocupa uma ponta do Parc de la Villette. Não sei como demorei tanto tempo para o visitar desde que cheguei, pois para quem gosta de música é um espaço absolutamente encantador para passar várias horas muito felizes sem qualquer pontinha de aborrecimento.

A colecção permanente do museu está dividida em cinco pisos, cada um deles representando diferentes capítulos da história da música. Nos quatro primeiros pisos a divisão é feita tendo em conta os quatro últimos séculos (desde século XVII até século XX), enquanto que o último piso é dedicado às músicas do mundo. A vastíssima colecção de instrumentos musicais é impressionante, não só em termos de número como também de beleza e, em certos casos, devido ao exotismo de algumas peças. Além da exposição “visual” dos instrumentos, é fornecido gratuitamente um guia-audio com o qual é possível acompanhar não só diversos filmes que estão disponíveis ao longo de todo o museu (ao todo são cerca de 40), como também em vários casos o visitante pode ouvir trechos da música reproduzida por alguns dos instrumentos, algo que para mim correspondeu a uma das coisas mais interessantes do museu (é impossível para mim olhar para um instrumento sem tentar simultaneamente imaginar o som que ele fará!). O piso acerca das músicas do mundo tem vários instrumentos dos vários continentes excepto da Europa, mas achei-o pouco explorado! Por outro lado, uma pequena zona do quarto piso dedicada a estilos músicas (jazz, rock e chanson) será aumentada no próximo ano, o que me agradou bastante pois foi das partes do museu de que mais gostei. Uma outra particularidade a salientar é o facto de que num dos pisos estar sempre presente um músico que além de tocar um dado instrumento (quando eu passei era a vez de um violinista), fala com os visitantes acerca do instrumento em si, das canções que toca e de tudo mais que os ouvintes queiram saber – pareceu-me um autêntico privilégio ter sempre lá alguém para este efeito!

Além de tudo mais, como seria de esperar, a loja do museu é também um espaço de tentação, vendendo imensos discos e algum merchandising bastante interessantes. Quando eu acabei de ver o museu estavam a passar Fleet Foxes na loja, o que me parecu muito bem!

Apesar de não ser dos museus mais conhecidos e publicitados em Paris, o Musée de la Musique é um espaço no qual qualquer apaixonado por música entrará e terá dificuldade em ir embora! Ficou ainda a faltar uma visita à colecção temporária, mas noutro domingo de sol irei dedicar novamente a manhã à Cité de la Musique e a tarde ao enorme e amplo Parc de la Villette – o que é, a propósito, mais uma sugestão de passeio em Paris fugindo à Torre Eiffel e às restantes capas de guias turísticos!

Dark Dark Dark @ Théâtre de la Cité Internationale (23.03.12)

Os Dark Dark Dark vieram a Paris com o pretexto de tomarem parte numa das sessões do Festival Les Femmes S’en Mêlent, que este ano assinalou a sua 15ª edição. Tal como o nome deixa perceber, este festival procura salientar o papel feminino no mundo da música, centrando-se em concreto na cena feminina independente.  O festival, que decorreu entre os dias 20 e 30 do mês passado, contou com nomes como My Brightest Diamond e Dum Dum Girls, entre muitos outros, e estendeu-se a diversas cidades, entre as quais Paris.

Na sua passagem por terras parisienses, os Dark Dark Dark vieram tocar bem perto da minha casa, no Théâtre de la Cité Internationale. Foi o primeiro concerto em Paris ao qual assisti sentada e embora isso seja algo que entre em colisão com a minha habitual postura de “não parar quieta” (Festival Para Gente Sentada, desculpa!), neste caso acho que fez todo o sentido.

A primeira parte foi uma surpresa para mim, uma vez que ficou a cargo de uma jovem cantora brasileira que se apresentou como Dom e que me fez ouvir pela primeira vez em Paris música cantada em língua portuguesa. A capacidade dela alternar não só em idiomas (cantou em português, francês e espanhol) mas também em instrumentos foi incrível. No final tive oportunidade de falar um pouco não só com ela mas também com um dos elementos que a acompanhava na guitarra e que por sua vez também tem um projecto paralelo muito interessante, chamado Thousand (clicar aqui para ouvir!).

Voltando a Dark Dark Dark… Apesar da banda contar com quatro meninos, a verdade é que o elemento central é a senhora Nona Marie Envie, que ao contrário das minhas expectativas se apresentou em palco sem os seus característicos óculos que fazem lembrar tempos nos quais nem ela era nascida (por momentos questionei-me se seria mesmo ela aquando da entrada no palco, mas uma vez começando a cantar não restaram quaisquer dúvidas!). A voz dela é muito particular e excepcional, pelo que foi um enorme prazer passar uma noite de sexta-feira a ouvi-la ao vivo. Para este festival, os Dark Dark Dark trouxeram um conjunto de canções novas que irão incluir no álbum que prometem lançar ainda este ano. Apesar de ter gostado das novidades, fiquei com pena de não ter ouvido mais coisas familiares. Contudo, eles pareceram muito contentes por estarem a apresentar canções novas (chegaram a dizer que uma vez ainda não tendo ainda um novo álbum, teriam de tocar canções antigas também – algo a que um elemento do público prontamente respondeu que isso não era problema, já que eram igualmente muito boas!). O início do concerto foi feito com a Wild Go, canção que emprestou também o nome ao último disco da banda. Já o Snow Magic, disco de estreia, foi muito pouco revisitado, tendo marcado uma breve presença com a Trouble No More. Na minha opinião, o momento mais bonito do concerto foi durante a Daydreaming, que acabou por me deixar na cabeça os seus uivos durante os dias que se seguiram (“Oh if you knew what it meant to me…”). Para o final ficou a Celebrate (“And tell me what you celebrate…”), uma forma alegre de os Dark Dark Dark nos mandarem a todos embora para casa… Contudo, a verdadeira despedida foi feita já fora da sala do concerto, onde a banda ainda esteve algum tempo a falar com todos aqueles que os quiseram procurar (curiosamente, uma das pessoas que também foi, imediatamente antes de mim, declarar o seu amor pela música dos Dark Dark Dark à Nona Marie foi a cantora e actriz SoKo!).

Este concerto teve o gosto especial de ser dos últimos que assinalei na minha agenda ainda em Portugal, antes de vir – é bom quando conseguimos fazer as coisas que tínhamos planeado alguns meses antes… E por falar em meses: hoje faz 3 meses desde que cheguei a Paris, hoje faz 3 meses desde que não vejo Portugal.

Centre Pompidou

A colecção permanente do Centre Pompidou reúne um número considerável de obras de arte moderna e arte contemporânea, sendo um ponto de passagem obrigatória mesmo para quem visite a cidade dispondo de pouco tempo. Além das obras, o edifício é bastante original e engraçado, pelo é impossível passar na zona sem que este nos chame a atenção e peça descaradamente para o fotografarmos.

Em relação às obras expostas, estas foram algumas das quais mais gostei:

O Centre Pompidou saltou também para o meu top de museus preferidos em Paris, sendo certamente um local ao qual irei voltar várias vezes no futuro (pelo menos enquanto ainda estiver nesta idade mágica que me dá isenção de pagamento na entrada de muitos museus por estas terras francesas!).

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